“Assim como é dentro,
será fora”
Abordagem Psicológica das Progressões Secundárias
Por Juliana Estevez
O mapa de nascimento de uma pessoa
representa simbolicamente a foto de um instante do sistema solar.
Esse instante é o mesmo da primeira respiração
desta pessoa, isto é, o momento em que a pessoa passou a
ser um Ser individualizado, autónomo. Mas, este instante
está inserido dentro de um enorme ciclo que já estava
em andamento no Universo, ciclo este que pode ser visto através
das posições dos planetas do nosso sistema solar.
Este ciclo maior está associado ao que chamamos de Tempo
universal.
Entretanto, este instante dará início a uma “era”
individual, inaugurada com a primeira respiração e
que representará um potencial específico, que como
uma semente, sofre a compulsão de se desabrochar.
O mapa astral é, portanto, o potencial latente um ser plenamente
individualizado, mas que se vai manifestando ritmicamente, de acordo
com condições internas e eventos externos. Além
do desenvolvimento deste Ser através do tempo universal,
objectivo, haverá um outro factor de fundamental importância,
chamado por Dane Rudhyar de continuidade subjectiva. Esta continuidade
subjectiva é a expressão individualizada do tempo
universal que, em virtude do carácter individual, é
a base para a revelação progressiva da liberdade criativa
do indivíduo.
O ciclo individual que se iniciou no nascimento de um Ser evoluirá
de acordo com as características da continuidade subjectiva,
que na astrologia é representada pelas progressões
e pelo arco solar.
Podemos dizer portanto que , as progressões e arcos tratam
da continuidade subjectiva e não do tempo objectivo, que
são indicados pelos trânsitos.
De acordo com Dane Rudhyar, progressões
são as oportunidades de liberdade criativa no decorrer da
vida de um indivíduo. Como ele vai se tornando mais livre
e criativo e se transformando naquele que o mapa mostra que ele
é em potencial.
As progressões falam do tempo interno, simbólico,
não objectivo, pois são posições simbólicas
do movimento dos corpos celestes, e não posições
reais.
Rudhyar diz-nos que, “de acordo
com o simbolismo astrológico, a Terra é o campo de
experiência individual em que o homem é potencialmente
supremo. O Céu é o campo das actividades universais,
dentro de cujo alcance, o homem é apenas uma unidade infinitamente
pequena. O tempo objectivo refere-se ao céu, a continuidade
subjectiva refere-se a terra. Na técnica das progressões,
o ciclos celestes são reduzidos ao ciclo típico da
Terra, constituído por uma rotação completa
do nosso globo em torno de seu eixo, isto é, um dia. O universal
é reduzido ao particular. Nas progressões secundárias,
o ciclo celeste determinado pela revolução completa
do Céu entre as estrelas – o ano – é reduzido
ao ciclo dia.
Sendo assim, pressupõe-se que um dia depois do nascimento
é igual a um ano de vida real, objectiva, portanto as posições
para o trigésimo dia depois do nascimento simbolizam as condições
que serão enfrentadas no trigésimo ano do indivíduo.”
Atenção: “condições
internas” não são o mesmo que “eventos
externos”. Por isso as progressões são experiências
que são vividas subjectivamente.
A máxima hermética que fundamenta a astrologia; “assim
como é em cima, será em baixo”, pode ser aqui
interpretada como; “assim como é dentro, será
fora”. Isto significa que estas condições que
o indivíduo experimenta internamente, não só
filtram a realidade objectiva, como também condicionam e
criam esta realidade.
Mapas progredidos são, portanto,
um mapas dos processos internos e subjectivos do indivíduo,
que vão se revelando gradativamente, como aquilo que na psicologia
analítica Jung chamou de “caminho de individuação”.
Os eventos externos, simbolizados pelos trânsitos, serão
psicologicamente interpretados e vividos de acordo com estas condições
internas que as progressões apontam.
Quando o astrólogo é
capaz de sincronizar as interpretações dos trânsitos
e progressões, os prognósticos podem ser espantosamente
exactos, isto é, podemos compreender quando (transito) e
como (progressão) vamos viver determinadas propostas evolutivas.
E são principalmente sobre as propostas evolutivas que as
progressões tratam. A proposta evolutiva de um determinado
indivíduo e a qualidade rítmica de sua individuação,
bem como as oportunidades internas de desenvolvimento e aumento
da sua própria consciência.
Curso: Abordagem psicológica das progressões, arcos
e revoluções solares.
CAPTA – Centro de Astrologia Psicológica e Transpessoal
www.astrologiapsicologica.com
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